Friday, August 14, 2009

Sobre as minhas horas atras do avental

Somos quatro garcons trabalhando no restaurante. Sao todos italianos, menos eu. O sistema eh estranho, diferente de todos os outros onde ja trabalhei em Dublin. Apenas um de nos pega os pedidos das mesas, que eh o primo do proprietario e trabalha la ha anos, o Ciccio. A Simona, uma menina de vinte e poucos anos, usa o cabelo bem curto e tem jeito de menino. Ela fica na cozinha e so sai para levar os pratos de massas e carnes as mesas. O ultimo eh o Domenico, que leva as pizzas. Eu fico na sala, recebendo os clientes na porta, encaminhando as mesas e levando as bebidas.
Por estar sempre na sala, tenho um contato mais proximo com os clientes. Eles sempre me chamam para reclamar do calor do local, da demora das pizzas, para pedir outra bebida etc.
No caixa fica a Corine, uma francesa que trabalha neste mesmo restaurante ha quase vinte anos. Sempre que ela tem uma bandeija de bebidas prontas e eu estou ocupada correndo de um lado a outro, ela me chama bem alto: Paulaaaaa!
A maioria dos clientes eh regular no restaurante e esses tambem me chamam pelo nome. Por isso estou comecando a me enjoar dele.
Alem disso, tem os italianos cara de pau, que me perguntam a que horas eu termino e se quero sair com eles depois que o restaurante fechar. O Ciccio diz que esta apaixonado por mim e fica bravo sempre que percebe a cantada de algum cliente. Haja jogo de cintura!
Mas alguns momentos naquele restaurante sao bacanas. Tem um casal que vai sempre. Ele, bem mais velho que ela, uma morena bonita perto dos seus quarenta anos. Eles sempre pedem bruschetta e um pouco de pao e azeite. Nao eh usual pedir pao e azeite com bruschetta, pois bruschetta ja eh pao com tomate em cima e vem temperado. Apos a segunda vez eu comecei a levar o pao e o azeite sem que me pedissem e eles perceberam que eu me lembrava deles. Comecamos a conversar e descobri que sao de Torino, e estao em Reggio de ferias. Ela trabalha em um restaurante por la com varios brasileiros. Eu disse que deveria ir a Torino em setembro e ela me deu seu telefone insistindo para que eu ligasse. Disse que poderei trabalhar em seu restaurante. Espero nao precisar, mas em utlimo caso, ja tenho trabalho em Torino.
Os italianos nao tem costume de deixar "mancia", ou gorjetas. Dificilmente dao um euro alem da conta. Mas ontem eu atendi uma mesa grande e eles foram um dos ultimos a sair. Eu ja estava no bar, ajudando a secar os copos e conversando com a Corine e com a Simona. Um deles mandou me chamar e me deu cinco euros na mao: "questo eh per te".
Tambem tem uma familia de Napolis que vai sempre ao restaurante. Eu nao sei por que eles continuam indo, pois sempre reclamam do calor ou da comida. Ontem o pai da familia mandou devolver o prato de macarrao porque estava incomestivel, "troppo crudo". Eu levei para a cozinha e relatei a reclamacao ao chef. Ele disse que nao estava cru nada e que eu perguntasse se ele queria outro. Eu voltei a mesa e disse que o chef pediu desculpas e perguntou se ele gostaria de outro prato no lugar - que ele negou. Para a minha surpresa, eles voltaram hoje e ele pediu novamente uma massa. Tem gente que nao aprende! Hoje, a mae me chamou para perguntar se a Simona era menina ou menino. Ela ficou surpresa com a resposta. Depois me chamou de novo e desta vez me convidou para ir a Napolis e me hospedar na casa deles. Eu estou querendo ir para la em setembro e aceitei rapidamente. Ela me passou seu endereco e telefone e insistiu para que eu nao perdesse o papel e fosse conhecer a casa deles "que fica em uma area muito nobre de Napolis".
Algumas noites naquele restaurante sao interminavais, mas algumas pessoas facilitam as minhas horas atras do avental.

1 comment:

  1. Em qual restaurante você trabalhou em Dublin?

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