Tuesday, May 19, 2009

Onde será o amanhã?

Preciso sair da casa da Maria em dois dias e ainda não sei para onde ir. Quando vim à Itália deixei meu trabalho, sai do apartamento que alugava em Dublin, peguei quase tudo e vim preparada para ficar, no mínimo, dois meses – até ficar pronta a minha cidadania. Mas, somente aqui em Torino, descobri que não precisava ter feito nada disso.
Eu decidi contratar a Maria no ultimo momento. A minha intenção antes era fazer tudo sozinha – e aí sim precisaria ficar todo o tempo na Itália. Ela também não tinha me falado antes, mas aqui fiquei sabendo que ela pode fazer a minha residência e entregar os documentos ao consulado em uma semana. Depois disso, estou liberada.
Diz a regra que a residência só é aprovada depois que o fiscal passa no seu endereço e comprova que você esta morando ali. De acordo com a Maria, porém, o fiscal passa no endereço e não precisa ver você fisicamente. É suficiente que ele leia seu o seu nome na entrada do prédio, se for apartamento, na caixa do correio e na campainha. Somente depois que o fiscal aprova a sua residência, o consulado faz o pedido de Não Renuncia e, após a resposta – de 30 a 60 dias-, a cidadania é reconhecida.
Mas agora sinto uma pressão por parte da Maria para sair da casa dela já amanha. Eu não a culpo, pois quando cheguei a Torino e vi o apartamento onde iria morar, disse que não ficaria ali. Eu também não me culpo, pois ela não tinha me dito nada sobre dividir quarto com criança. Ela sugeriu que eu ficasse na casa dela, já dizendo que em uma semana eu poderia ir embora. Eu aceitei, mas não tinha um plano para depois. E nem tenho agora.
Estou vendo preço de passagens de avião e de trem. Minha cabeça não pára, entre e ontem e hoje já decidi que iria:
- Voltar à Irlanda e ficar com meu namorado, na casa dos seus pais, até sair a cidadania;
- Ir para Paris ficar com a minha amiga que mora lá por uma semana e depois ir à Irlanda até sair a cidadania.
-Comprar um passe de Euro Trem, que me permite viajar várias vezes por um preço fixo. Assim, vou descendo de trem por toda Itália até chegar à Calábria;
- Ir à Isola d’Elba, onde ouvi falar que é muito bonito;
- Ir à Sardenha, onde ouvi falar que é muito bonito;
- Ir diretamente à Calábria e ficar no sofá do Sergio, o DJ que conheci pelo site Couch Surfing, com quem converso ainda hoje por MSN. Ele sempre diz que posso ficar na casa dele o tempo que precisar e que me ajuda a encontrar trabalho e a alugar uma casa;
- Negociar com a Maria e ficar em Torino até o fiscal passar.
Eu perguntei outro dia à Maria se ela tinha certeza de que o fiscal não pediria a minha presença.
Afinal de contas, se decido ir para longe não vou querer voltar em quinze dias. Ela garantiu que não. Eu tenho a impressão de que ela esta arriscando. Mas não quero – e nem posso- ficar na casa dela. A outra opção seria o apartamento onde tem a criança. Cruz ou espada? Vou-me embora, só preciso decidir para onde.

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