Sunday, May 10, 2009

Quase fui embora...


Meu trem chegou a Torino sexta-feira a 1 da tarde. Liguei para a Maria e ela me passou o endereço do apartamento onde eu deveria ficar. Eu e as minhas malas fomos ate o local indicado. Eh perto da estação. se eu não tivesse carregando quase 30 kilos a mais seria bem tranqüilo.
Cheguei no prédio... e eu que achava que na Europa nao tinha favela como as do Brasil. Quase fui embora, mas respirei fundo e toquei a campainha. A Maria ainda não estava, tinha me dito por telefone que chegaria em 10 minutos. Subi para ver o apartamento: um só quarto e três pessoas- uma mulher, um homem e um menino de uns 5 anos. Quando eu vi o menino já comecei a me encaminhar para a porta. Dividir o quarto com mais 3 pessoas, sendo que uma delas era criança, não tinha sido o combinado.
Eu não sou fresca, quem me conhece sabe. Quando viajo procuro hostel e não me importo em dividir quarto com quem não conheço. Mas isso porque eu sei que eh por pouco tempo. Eu fui a Torino preparada para ficar no mínimo 2 meses, ate sair minha cidadania italiana.
Desci as escadas com a cabeça a mil: "Volto para a estação e sigo para a Calabria? Deve ser no mínimo 15 mais horas de trem. Não, vou para Dublin de novo e de la eu penso. Ah, tenho uma amiga em Roma que talvez me hospede por um tempo ate eu saber para onde ir". Estava já saindo do prédio quando chega uma mulher e me pergunta "Você é a Paula?".
Eu não ia nem esperar. Disse logo para a Maria "desculpe, mas não vou ficar aqui". Eu disse que não era o que eu imaginava e que não me via naquele lugar. Ela disse que sabe que o apartamento não é grande coisa, mas que afinal eu ficaria la só para fazer os documentos. Disse que o local é bom, pois o fiscal daquela área passa em menos de uma semana. Não adiantava, eu já estava decidida a ir embora. Não sabia ainda para onde iria, mas já era fato para mim que não ficaria ali.
No final, ela me ofereceu a casa dela. Disse que o fiscal passaria em menos de uma semana e ai eu poderia ir para outro local. Ela disse que me liga quando os documentos ficarem prontos e eu volto somente para assinar. Aceitei, mas renegociamos o preço, já que não teria que pagar dois meses de aluguel.
O marido dela, que é italiano, foi nos buscar. Ela mora na comune de Volpiano, longe de Torino, mas uns 20 minutos de trem. É um apartamento grande, muito mais agradável. O meu quarto tem 3 camas, mas eu estaria sozinha naquela noite.
Ela deve ter me achado um nojo. Ficava se desculpando pela bagunça toda hora e dizendo que amanha seria dia da faxina. Eu não estou nem ai pra bagunça, mas seria difícil convencê-la disso depois do meu chilique.
O aquecedor do chuveiro esta quebrado, então tomei banho de balde. Depois fui passear sozinha pelo centro. Tirei dinheiro para dar a ela e comprei um vinho para tomarmos juntas.
Quando voltei, ela estava preparando o jantar. O marido chegou quando já estávamos à mesa. Comemos, tomamos vinho, conversamos, lavei a louca mesmo com ela protestando e acho, ou espero, que ela tenha tido uma melhor idéia de mim no final da noite.
Fui para o meu quarto e fiquei no computador conversando com meu namorado um tempo. Depois, dormi como uma pedra.

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