Tuesday, May 12, 2009

Polcheira

Segunda-feira, antes de fazer o meu CPF, fomos buscar o Polcheira no aeroporto. Ele é brasileiro, tem seguramente mais de 40 anos, casado com três filhos já grandes. Mora e trabalha em Londres há mais de dois anos. Também é cliente da Maria e está solicitando a cidadania italiana pelo bisavô.
A tarde, a Maria foi visitar um bebê, filho de uma amiga, que estava com catapora. Eu e o Polcheira fomos passear por Torino.
Andamos muito e acabamos tomando cerveja em um bar perto do museu de cinema. O Polcheira é graduado em engenharia mecânica com pós-graduação em Marketing. Trabalhou anos na Singer e em outras duas empresas grandes gerenciando equipes em cargos de chefia. Atualmente ele trabalha com faxina em Londres, limpando chão e banheiro de um pub, além de cuidar do jardim da casa de uma senhora.
"Mas você não sente falta de fazer o que gosta?", perguntei abismada. Ele diz que não. Ama engenharia, gostava da profissão, mas estava sempre estressado e, financeiramente, não compensava. Ele disse que encara seu novo trabalho da seguinte forma "Quando estou lá, com a vassoura na mão, limpando aquele local enorme, eu suo pra caramba. Então é como se eu estivesse em uma academia, mas recebendo dinheiro para isso".
Aqui pela Europa está cheio de engenheiro fazendo faxina, advogado lavando prato e garçons com pós-graduação. Financeiramente compensa. Trabalhando bastante, tira-se aproximadamente dois mil euros por mês, quase seis mil reais.
Para mim, compensa por um tempo, como uma experiência. Trabalhei por quase dois anos como garçonete em Dublin. Ganhava bem, consegui viajar bastante. Mas sentia, e ainda sinto, muita falta de fazer o que gosto.

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