Decidi viajar de segunda classe porque a passagem custava trinta euros a menos que a de primeira. Já sei que serão loongas quinze horas. A segunda classe é toda dividida pequenas cabines, com seis poltronas dentro. Três de um lado e três de outro, de modo que você tem que tomar cuidado pra não ficar encarando a pessoa que está na sua frente, nem deixar seus pés ou joelhos esbarrarem toda hora.
Quando cheguei éramos apenas eu e dois homens. A minha poltrona ficava no meio, de frente a eles. Isso porque eu pedi, e paguei três euros a mais, para sentar na janela!
Quando cheguei os dois agarraram a minha mala pesada a enfiaram lá em cima, no lugar das malas, sem me perguntarem nada. Eles falaram algo que eu entendi como “aaaaaaaaaaaoooooo”. Agradeci a ajuda com a mala em inglês, imaginando que eram alemães ou ingleses, e sentei na minha poltrona do meio, de frente aos dois. Novamente eles tentaram se comunicar comigo e ai eu entendi que eles não eram gringos, mas surdos. Eu meio que adivinhava o que eles estavam perguntando e respondia alto e devagar para eles lerem meus lábios. Não sei se respondi o que perguntavam, mas pareciam satisfeitos.
O telefone de um deles tocou e eu fiquei curiosa. “Como que um surdo e mudo conversa por telefone?”, pensei e observei. Eles não falam nada, apenas fazem os sinais para a câmera do celular. O visor é grande e assim ele também pode ver os sinais da outra pessoa. O homem queria mostrar ao filho que seu trem já havia partido, então fazia gestos com a mão e mostrava a janela do trem. Apontou o telefone para o amigo que "conversou" da mesma forma e depois para mim, que dei tchauzinho.
Próxima parada. Entra na minha cabine outro homem dizendo que a minha poltrona era dele. Eu mostrei a minha reserva e ele a dele. As duas idênticas, realmente. Mas que desorganização desse povo do trem, além de me colocarem no meio, ainda vendem a mesma poltrona duas vezes!
O homem era muito simpático, mostrou-me a foto da sua bambina recém nascida no celular e contou que mora em Bari, mas trabalha em Torino. Uma bela distancia, por isso volta para casa somente nos finais de semana.
Quando passou a controladora do trem, ele mostrou a ela nossas passagens e perguntou se é possível que nós dois tenhamos a mesma poltrona. “Não, o senhor esta no trem errado.”, respondeu ela. “Ufa, ainda bem que não fui eu”, pensei aliviada.
Um dos surdos entendeu a historia, não sei como, e contou por sinais ao outro. Rimos muito. O rapaz quem pegou o trem errado não acreditava na propria sorte.“Imagina que se não tivéssemos a mesma poltrona eu teria me acordado na Calábria. O azar era sorte, no final”, nos dizia, rindo.
Ele desceu na próxima estação e no seu lugar um homem muito gordo sentou-se bem ao meu lado. A cabine estava lotada, cinco homens e eu. Tentei dormir, mas o gordo roncava demais.
Depois de quinze horas de tortura cheguei a Calábria. Espero que valha a pena!
Quando cheguei éramos apenas eu e dois homens. A minha poltrona ficava no meio, de frente a eles. Isso porque eu pedi, e paguei três euros a mais, para sentar na janela!
Quando cheguei os dois agarraram a minha mala pesada a enfiaram lá em cima, no lugar das malas, sem me perguntarem nada. Eles falaram algo que eu entendi como “aaaaaaaaaaaoooooo”. Agradeci a ajuda com a mala em inglês, imaginando que eram alemães ou ingleses, e sentei na minha poltrona do meio, de frente aos dois. Novamente eles tentaram se comunicar comigo e ai eu entendi que eles não eram gringos, mas surdos. Eu meio que adivinhava o que eles estavam perguntando e respondia alto e devagar para eles lerem meus lábios. Não sei se respondi o que perguntavam, mas pareciam satisfeitos.
O telefone de um deles tocou e eu fiquei curiosa. “Como que um surdo e mudo conversa por telefone?”, pensei e observei. Eles não falam nada, apenas fazem os sinais para a câmera do celular. O visor é grande e assim ele também pode ver os sinais da outra pessoa. O homem queria mostrar ao filho que seu trem já havia partido, então fazia gestos com a mão e mostrava a janela do trem. Apontou o telefone para o amigo que "conversou" da mesma forma e depois para mim, que dei tchauzinho.
Próxima parada. Entra na minha cabine outro homem dizendo que a minha poltrona era dele. Eu mostrei a minha reserva e ele a dele. As duas idênticas, realmente. Mas que desorganização desse povo do trem, além de me colocarem no meio, ainda vendem a mesma poltrona duas vezes!
O homem era muito simpático, mostrou-me a foto da sua bambina recém nascida no celular e contou que mora em Bari, mas trabalha em Torino. Uma bela distancia, por isso volta para casa somente nos finais de semana.
Quando passou a controladora do trem, ele mostrou a ela nossas passagens e perguntou se é possível que nós dois tenhamos a mesma poltrona. “Não, o senhor esta no trem errado.”, respondeu ela. “Ufa, ainda bem que não fui eu”, pensei aliviada.
Um dos surdos entendeu a historia, não sei como, e contou por sinais ao outro. Rimos muito. O rapaz quem pegou o trem errado não acreditava na propria sorte.“Imagina que se não tivéssemos a mesma poltrona eu teria me acordado na Calábria. O azar era sorte, no final”, nos dizia, rindo.
Ele desceu na próxima estação e no seu lugar um homem muito gordo sentou-se bem ao meu lado. A cabine estava lotada, cinco homens e eu. Tentei dormir, mas o gordo roncava demais.
Depois de quinze horas de tortura cheguei a Calábria. Espero que valha a pena!

No comments:
Post a Comment